Por muito que me custe admitir, esta jogada do Paulo Portas foi... inteligente. Subtilmente conseguiu virar o bico ao prego. Com as mesmas regras que permitiram a dissolução da AR, e que tanto irritou o PSD mas muito mais aos senhores deputados do CDS/PP, conseguiu criar um cenário que, a resultar conforme os seus planos, vai encostar o PR à parede, fazendo disso mesmo um objectivo muito mais alto do que a simples ganância pelo poder...
No entanto esta situação levanta uma questão que que a mim me parece uma preversidade da democracia, que é as coligações.
Senão vejamos:
Vamos tomar como verdadeiros os seguintes principios:
1. os partidos existem para defenderem posições ideológicas.
Deste princípio, decorre que a um partido corresponde uma ideologia e vice-versa. Deduz-se portanto que se existem dois partidos, existem duas idealogias, ou seja n podem existir dois partidos com a mesma ideologia.
2. a proporção dos partidos na AR deve ser na razão directa da proporção do voto popular em cada um desses partidos.
Deste princípio decorre que um governo deve governar seja qual for a proporção em que se encontra na AR.
3. um partido concorre à AR para defender uma ideia em concreto.
Daqui deduz-se que um partido naõ pode defender duas ideias diferentes ao mesmo tempo.
Se aceitarmos estes princípios como verdadeiros e democráticos, então uma coligação pré ou pós eleitoral é algo que nunca respeita a democracia. Pois se dois partidos concorrem coligados, colocam em causa o cumprimento do princípio 1 e 3. Se dois partidos fazem uma coligação, então defendem a mesma ideia, logo devia formar um só partido!
É que não é por nada, mas daqui a pouco começam a aparecer partidos diferentes, mas que funcionam numa lógica de parcerias e de benchmarking com o objectivo simples de ganhar quota de mercado (o mesmo será dizer, ganhar votos)!!!